Eu te perdoo. Tu me perdoas? Eles que se perdoem…

A ideia de que “perdoar é divino” é o primeiro grande paradigma que precisa ser quebrado para se entender verdadeiramente o conceito de Perdão.

Imagine se um pai ou uma mãe iria exigir que o filho de um ano pedisse perdão por sujar a fralda, ou por colocar o dedo na tomada. E então, no alto de sua suprema bondade, diria: “eu te perdôo meu filhinho…”

Se deus ou a essência criadora nos desenvolveu e nos colocou neste planeta sem a consciência da Criação, somos todos como bebês. E é inconcebível que um deus de amor exija de seus filhos que eles peçam perdão por algo que não têm consciência. Simplesmente porque não existe nada a ser perdoado. Essa ideia apenas afasta a criação do criador.

Quebrar essa ideia de que somos devedores desde antes mesmo do nascimento é o primeiro grande passo para entender o perdão. Caso contrário, o indivíduo pode viver a vida toda se sentindo culpado por algo que ele não sabe o que é. E atribuindo aos outros a culpa por algo que ele não conhece, criando um jogo de empurra-empurra ancestral. Que é o que temos visto acontecer por séculos. A humanidade vive para buscar culpados, sem adquirir a consciência de que o poder da mudança está em suas mãos.

E perdoar – a si próprio e aos outros – tem um papel fundamental na reconexão do ser humano com sua essência divina.

Entender o perdão, antes de mais nada, é entender o que ele não é:

  • Perdão não é obrigação – Se você perdoa porque é o correto a se fazer, isso não é perdão. Pode ser um ato racional de concessão de algum favor. Mas não é perdão.
  • Perdão não é um ato mental – Se o ato de perdoar depende de racionalizar algo em sua mente, também não é perdão. Ao se racionalizar sobre o perdão, acha-se um milhão de motivos para culpar o outro, para justificar um determinado erro, para se questionar uma intenção. Tentar encontrar motivos para perdoar, ou um momento ideal, será apenas perda de tempo.

O que é perdoar:

  • Perdoar é esquecer – Simples assim. Aquele que diz que perdoa, mas não esquece, está mentindo para si mesmo.
  • Perdoar é viver no presente – é aceitar-se, é a realização do EU aqui, agora, responsável pelas suas escolhas e co-criador de sua realidade. Como disse o Eckart Tolle em O Poder do Agora: “significa reconhecer a falta de consistência do passado e permitir que o momento presente seja como é -, e acontece o milagre da transformação, não só do lado de dentro, mas também do lado de fora. ”
  • Perdoar é amar (a si mesmo). – Pensa-se que perdoar é um ato piegas, mas perdoar é amar a si próprio em primeiro lugar. É querer viver bem, caminhar leve, mas também é necessário que se encare a verdade. Muitas vezes perdoar requer a consciência de que o amor não existe, ou deixou de existir. E não precisa existir. A neutralidade basta, muitas vezes. A falta de emoção é sinônimo de harmonia. Quando existe expectativa de retorno emocional envolvida num ato de perdão, isso pode ser uma maneira de manipulação emocional. E aí deixa de ser perdão.
  • Perdoar é curar – É se curar e permitir que a cura aconteça em diversos níveis. Físico, emocional e espiritual.

Aquele que não reconhece a função do perdão e não sabe como perdoar, acaba por acumular um lixo emocional e energético gigante, desenvolvendo uma série de problemas. Desde doenças físicas e mentais, e atraindo elementais negativos que vibram na mesma frequência, causando perturbações em diversas áreas de sua vida.

Existem diversos exercícios e terapias para liberar o perdão em cada um. Decretos, mantras, meditações, florais, etc., mas nada irá substituir o primeiro grande passo, que é o pleno entendimento da necessidade de se perdoar.

Infelizmente, muitas pessoas vivem e se alimentam da mágoa e da raiva. E sem esses sentimentos, suas vidas perderiam o sentido.

Pois saiba que perdoar o outro é fácil. Perdoar-se a si mesmo é um pouco mais complicado, pois significa libertar-se do sofrimento e tornar-se dono de suas emoções. Isso, para quem realmente deseja sair da inconsciência.

Finalmente, perdoar é silenciar todos os julgamentos. Como disse Eckhart Tolle: Alguém passa a ser um inimigo quando personalizamos a inconsciência dele que é o ego. A não-reação não é fraqueza, mas força. Outra palavra para não-reação é perdão. Perdoar é ver além, ou melhor, é enxergar através de algo. E ver, através do ego, a sanidade que há em cada ser humano como sua essência.

Todos nós estamos nesta existência tentando aprender através de erros e acertos. E enxergar a nós mesmos e aos outros como aprendizes já é um grande passo para o perdão real. E um grande incentivo para quem deseja continuar na jornada da espiritualidade, mais leve e em paz.

E prá terminar, eu diria que perdoar não é divino, mas é cósmico! O perdão transcende, transforma e transmuta.

4 comentários Adicione o seu

  1. Numero Consultoria disse:

    Oi. Lili, bom dia!! Apreciei muito esse artigo sobre o perdão. Certamente ele transcende tudo o que a gente aprendeu sobre o tema. Quando se fala em perdão, também se fala em culpa, não é mesmo? E culpa é um instrumento de dominação. Em muitas pessoas, o grande desejo de dominar os outros à sua imagem e semelhança faz com que o sentimento de culpa seja utilizado como verdadeira arma sub-reptícia, ou seja, como algo quase subconsciente. Você passa a se auto punir justamente para agradar o agente dominador. E o perdão (perdoar-se, como vc bem explica) é um escudo infalível contra essas investidas que nos fazem sofrer. Deus te abençôe! Parabéns! Você é uma ótima escritora. Redação clara, concisa, inteligente. Marrrrravilha! Beijão do Dad.

  2. Eliana Rocca disse:

    Obrigada, pai! Com certeza… a culpa e o medo são os maiores vilões da nossa felicidade e crescimento. Temas prá muitos outros artigos. Adorei a ideia do escudo…. verdade total!! Fico super feliz com o seu comentário. Love you!!

  3. Maurício Cavalcante disse:

    gostei muito do texto, maravilhoso!

    1. Eliana Rocca disse:

      Obrigada, Maurício!

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