Laboratório de emoções

Pensando um pouco no laboratório que são os relacionamentos…

Laboratório, porque os seres humanos são mesmo cobaias há milhares de anos e não se dão conta.

Vivemos a maior parte da vida regidos por dois grandes sentimentos (negativos, claro): o medo e a culpa. E boa parte dos relacionamentos são infelizmente regidos por estes dois pilares. O medo da perda e a culpa por não ser aquilo que o outro espera que você seja. Ou o que você acha que outro quer que você seja.

E então cria-se um redemoinho de emoções que vão aos poucos corroendo o relacionamento de casais, famílias e sociedades.

Vamos pensar um pouco na maneira como as pessoas se relacionam e quais as expectativas que colocam em seus relacionamentos:

Quando você ama alguém, a última coisa que quer pensar é que um dia vocês irão se separar, certo?

Seja pela vida, ou pela morte, este é um fato inevitável. Só de se pensar na possibilidade da perda, a dor é tanta que parece real. Esta antecipação pela perda pode gerar um comportamento baseado na ansiedade, levando por exemplo a chantagens e ameaças ao outro, para criar ilusão de segurança. Certamente você já ouviu ou já disse para alguém: “se você se for eu vou morrer… sem você minha vida não tem sentido…”. Existe chantagem pior??

Ou então se você vive num constante sentimento de abandono e mesmo acompanhado se sente só. E acaba aceitando o que está logo à mão… afinal, “melhor acompanhado do que só”.

Muitas vezes, num relacionamento, seja amoroso, familiar ou mesmo entre amigos, se a outra pessoa não demonstra gratidão ou não reconhece aquilo que você faz por ela com tanto amor, você também sofre. Mas, porque, já que você ama incondicionalmente, espera que o outro reconheça seus esforços? Lá no fundo, você sabe que existem sim condições para expressar esse amor. Você se sente impelido a fazer mais e mais, sempre na expectativa da frase: “não posso viver sem você… você é tudo prá mim.” Porque é bonito dizer que ama “incondicionalmente”, mas na verdade está implorando por um mínimo de reconhecimento e se sente culpado por isso. Não é melhor admitir que o amor não é incondicional do que sofrer por não poder expressar suas expectativas?

E muitos acham que isso sim, é amor. Passam-se anos, muitas vezes uma vida inteira de culpa e medo que vão se subdividindo numa série de sentimentos, como mágoa, raiva, melancolia, que um dia se transformam em depressão, e uma série interminável de doenças.

E o laboratório?

Você consegue perceber que estes sentimentos são constantes na nossa sociedade por décadas, séculos ou mesmo milhares de anos?

De onde vêm esses sentimentos de culpa e medo, de separação e abandono?

Por que muitas vezes colocamos todas as nossas fichas num relacionamento, pensando que “agora sim, sei o que é o amor de verdade”? Ou num emprego dos sonhos, ou num grupo, religião, etc…. achando que finalmente achou o seu lugar no mundo? E in-va-ri-a-vel-men-te nos decepcionamos?

Vamos parar por um minuto e pensar nos séculos e séculos de manipulação da sociedade pelas religiões que se baseiam no medo e na culpa, e tudo começa a fazer sentido. O medo da morte, da punição, do abandono. A imposição de uma força patriarcal, extirpando o poder criativo e sensitivo do indivíduo, colocando nas mãos de poucos mestres e sacerdotes a capacidade de falar e interagir com o divino. E fazendo com que os homens e mulheres não sejam capazes de desenvolver a capacidade de pensar por si só, de desenvolver sua intuição e por consequência, eliminando totalmente sua força.

Ainda hoje vivemos neste mesmo esquema. Ainda através das religiões, da mídia, dos hábitos, seja lá o que mais, somos incentivados a viver na ilusão e numa roda interminável de sentimentos que vão gerar mais culpa e mais medo.

O medo transforma as pessoas em ratinhos de laboratório e a culpa faz delas consumidoras vorazes.

Enquanto os seres humanos não perceberem que o verdadeiro amor vem da harmonia e da capacidade de criação e de expressão da sua essência interior, nada vai mudar. Nem os relacionamentos, nem as famílias, muito menos a sociedade. Pois irão continuar as relações desequilibradas, onde as expectativas nunca irão se concretizar.

Assim como nas sociedades antigas, que entregavam seus bens à igreja para conseguir um lugarzinho no céu, continuamos a entregar o nosso poder criador na mão de terceiros. Vivemos repetindo os mesmos padrões.

E o sentimento de abandono e de perda, vem justamente da falta que sentimos da nossa própria divindade, que nos foi arrancada.

Isso pode ser explicado como memória celular, que trazemos de gerações e gerações e por isso continuamos repetindo os mesmos erros de nossos ancestrais. E muitas vezes trazemos sentimentos que nem sequer sabemos explicar, repetindo os padrões de sofrimento e dependência emocional.

O começo da transformação vem da consciência, depois da busca pelo conhecimento e da vontade de mudar. E finalmente, determinação para nos tornarmos seres integrais e livres.

Afinal, viemos para este planeta para vivermos na totalidade as experiências que viemos aprender. Sem entregar a terceiros (seja pai, mãe, filho, marido, esposa, patrão, amigo, mestre, guru…) o nosso próprio poder. E assim, desenvolvermos relacionamentos saudáveis, com respeito à individualidade e compreensão de que cada um tem seu caminho a seguir. E mais do que tudo: cheios de gratidão e harmonia, aproveitando ao máximo a companhia do outro.

Que seja eterno enquanto dure.

 

 

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2 comentários Adicione o seu

  1. Mel disse:

    Oii!

    Adorei o texto, parabéns!!

    Beijoos
    https://santaseloucas.wordpress.com/

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