Sobre tropeços e afins.

Hoje tô aqui prá falar de fracasso.

É engraçado como as conquistas, as vitórias, os grandes feitos são tão valorizados, principalmente nas redes sociais onde todo mundo parece “tão” feliz.

Só que dificilmente alguém vem com a cara limpa admitir que errou, que fracassou, que perdeu o rumo.

São tantas as lições sobre prosperidade, como ganhar dinheiro, conquistar o amor de sua vida, realizar grandes sonhos. Mas são poucos os que compartilham os tombos. Por isso tenho que confessar que toda vez que vejo alguém compartilhando sua receita de sucesso, me sinto um pouco descrente. De verdade, duvido que a receita do bolo da prosperidade, felicidade e da riqueza sirva prá todo mundo.

Então, vim aqui dividir com vocês a minha receita de fracasso.

Acho que tão importante como saber ganhar é saber perder. Perder, abrir mão, reconhecer o erro e mesmo assim continuar caminhando.

Há uns 10 anos perdi tudo. T.U.D.O. Não tô sendo exagerada, não. Só estou atestando um fato. Simples assim. Puf!! Kaputz!!

Não vou entrar no detalhe de como aconteceu, porque não vale à pena, mas o mais interessante de tudo é analisar o efeito devastador da perda e como ela foi importante para que eu finalmente entendesse um pouco mais de quem eu sou e qual seria o meu propósito nesta etapa da vida.

Bom, quando me dei conta do tamanho do rombo, decidi que a única opção que eu teria era viver um dia por vez. Se eu olhasse para trás e ficasse chorando pelo que já não existia mais, iria cair ainda mais num buraco sem fundo. Se eu olhasse para o futuro, não conseguia ver nada de positivo. E aí cairia noutro buraco sem conseguir enxergar uma luzinha que fosse.

Viver dia a dia foi um grande aprendizado. Foi o que me manteve em pé e sã. Pois viver um dia por vez me deu a possibilidade de administrar apenas o que era possível. O que estava nas minhas mãos naquele momento. Perceber que não existe passado nem futuro, é simplesmente libertador. Muitos chamariam de ligar o “foda-se”. E foi o que eu fiz.

A segunda coisa foi ter identificado um motivo prá lutar. Parecia difícil achar um motivo naquele momento, mas só bem depois que eu entendi que tinha dois anjos que me protegiam e estavam lá todos os dias contando comigo e me dando todo o amor e confiança que eu precisava. Eles não tinham absolutamente qualquer dúvida de que eu conseguiria e eu não admiti em nenhum momento que poderia perdê-los. Quem conheceu, sabe o que o Jambo e a Jaya representam na minha vida e esses dois pastores foram e são de verdade meus guias e protetores fiéis. Meus anjos.

Eles me conectaram de uma forma muito especial a uma nova maneira de ver o mundo. Através das forças mais sutis e como elas interagem com a nossa realidade. Mas isso eu só consegui perceber um bom tempo depois.

Naquele momento, eu não tinha condições de enxergar além da perda, então achei melhor não ficar procurando pelo em ovo, porque admiti para mim mesma que não tinha a capacidade de enxergar muito além. E a melhor coisa que eu fiz foi simplesmente aceitar o fato, com o menor sofrimento possível, sem buscar culpados e sem ficar me recriminando pelo que aconteceu.

Vivemos numa equação maluca entre vida, transformação, crescimento, amadurecimento e morte. E não existe nada, nenhum cuidado que impeça o sofrimento, o fracasso, as pedras no caminho. E uma das lições foi essa: vivemos num planeta de dualidade, onde as trevas são como a Alemanha jogando contra o Brasil na última Copa. Trevas 7 x 1 Luz. E achei importante saber onde eu estava pisando e deixar de me iludir, achando que o bem sempre venceria o mal. O que foi importantíssimo naquele momento, além de viver um dia por vez, foi não ter qualquer expectativa.

Num segundo momento descobri que não tinha mais qualquer sentimento. Não sabia se era algo bom ou ruim, mas não questionava. Não tinha raiva, nem mágoa. Mas também não tinha mais medo. Deixei aos poucos que os sentimentos se reorganizassem. Como um rio que toma seu curso e aos poucos vai abrindo espaço entre os galhos, entre as pedras. E entendi que as emoções são muito traiçoeiras e podem nos derrubar, por isso saber controlá-las era garantir a minha sanidade e fundamental para continuar interagindo com o mundo – que não estava nem aí para os meus problemas.

E por último, já que eu não podia esperar por grandes milagres, aprendi a agradecer por coisas pequenas, que demostravam que a vida continuava e que as mudanças eram sempre bem-vindas. Cada salário que eu recebia, cada conta paga, cada saco de ração. Cada mês com as contas pagas era uma vitória e tanto.

E depois disso outros tombos aconteceram, claro. Alguns prá testar se realmente eu tinha aprendido a lição, ou se era tudo fumaça.

E na mesma medida, a cada aprendizado, fui recebendo a contrapartida. Novos amigos, (além dos pouquíssimos que ainda restavam) tanto na vida material como além, um amor de verdade, com o cara mais bacana que eu podia ter conhecido neste planeta (e neste universo, provavelmente). E a certeza de que tenho a força, o conhecimento, a capacidade e a proteção para passar por qualquer coisa.

Hoje consigo planejar a vida sob um novo prisma – criando as oportunidades de trabalho para viver e viver com alegria. E não mais como uma escrava de um sistema que se mostrou totalmente ineficaz, onde eu vivia (mal) só para trabalhar.

Não posso dizer que sou grata aos tombos, mas eles foram aceitos, digeridos e ultrapassados. Sou grata, sim, às lições que aprendi com eles. Mas em nenhum momento você vai me ouvir dizer que viveria tudo de novo. Não, porque eu não sou besta!

Provavelmente vou levar outros tombos e tropeções até a hora de ir embora. Mas, quando for, vou olhando prá frente, sem qualquer motivo que me faça olhar para trás, ou querer voltar.

Então, se a minha experiência puder ser útil de alguma maneira, aí vai o resumo da ópera:

  • Perdeu? Morreu? Acabou? – Aceite.
  • Dê um tempo, permita que seus sentimentos se acomodem. De verdade, evite ao máximo tomar qualquer remédio que crie a falsa ilusão de bem-estar. Eles só vão te jogar pro fundo do poço, porque você não vai mais conseguir sair de lá sozinho. E é tão bom descobrir que a dor passa e que você consegue lidar com ela!
  • Um dia por vez. É tudo o que você tem, de verdade.
  • Você nunca está sozinho. A vida vai te dar sempre algum sinal, mostrando uma mão (ou uma pata) amiga, que representa o cuidado que os planos superiores têm com você.
  • E aprenda a ver as pequenas vitórias com alegria, com bom humor. Se você for capaz de se divertir com pouco, vai perceber que, ufa!, tudo está bem e a dor está chegando ao fim.
  • Não leve tudo tão a sério. Todos erramos, tropeçamos e caímos. E o sofrimento não te faz melhor ou pior do que ninguém.
  • Recomeçar é necessário, não importa a idade. E aceitar o recomeço é aceitar o novo, criar novas oportunidades. E finalmente, de cabeça fresca, volte a fazer planos e não deixe de sonhar.

E, vambora, que tem muita coisa ainda prá fazer!!

 

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2 comentários Adicione o seu

  1. Bebell disse:

    Fantástico. Gratidão!

    1. Eliana Rocca disse:

      Obrigada, Bebell. Bj!

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