Despertar, Espiritualidade

Porque eu não vou assistir “Quatro Vidas de um Cachorro”

Na primeira vez que vi o trailer deste filme, senti obviamente (como todo ser humano apaixonado por animais) uma tristeza profunda. E jurei prá mim mesma que não vou ver esse filme nem de graça, nem amarrada. Afinal, sofrer prá quê??!!

Com o tempo, questionando esse sentimento cheguei a algumas considerações que acho importante dividir com vocês. Especialmente se além de apaixonado por animais, você também busca respostas na espiritualidade para esse vazio enorme que sentimos quando eles nos deixam.

No trailer do filme o personagem principal é um cachorro que reencarna diversas vezes – como cachorro – e a cada vida leva alegria e ensinamentos aos seus novos donos, até que um dia reencontra um dos primeiros donos. Provavelmente esse filme irá reforçar uma programação equivocada que tem prejudicado tanto a egrégora dos cães.

Há algumas décadas o ser humano tem reforçado tremendamente o apego aos animais, como se a função deles e sua ascensão dependessem do relacionamento conosco, os “maravilhosos” humanos. E pior, nós nos tornamos extremamente dependentes deles para minimizar nossas carências. Não estou aqui julgando ninguém, mas é óbvio que a relação com os animais mudou muito nos últimos anos. Criamos para os animais as mesmas expectativas humanas, como se um cão pudesse sentir ciúmes, mágoa, inveja, etc. E aí criamos todo um ambiente nocivo ao animal. Mas isso é assunto para outro dia…

Vamos esclarecer primeiro que a alma de um cão ou de um gato, assim como da maior parte dos animais, é uma alma coletiva. Faz parte de uma Consciência ou Mônada e não passa pelos mesmos processos que os humanos passam, pois não têm o apego à matéria que nós temos. Portanto, o processo de ascensão de um animal deveria ser muito mais fácil e tranquilo. Só que por uma programação errônea, estamos forçando nossos queridos amigos a passar por um processo humano, os prendendo à Roda de Samsara, à roda encarnacional viciada humana.

Esse filme cria a expectativa de que teremos sempre nossos amiguinhos por perto. E que eles sempre estarão “olhando” por nós. Vamos pensar por um momento em como essa expectativa é egoísta. As hierarquias criadoras que regem os animais escolheram um processo de evolução colaborativo mas paralelo. Eles nos ajudam e em contrapartida deveríamos ajudá-los também. Só que devido à grande carência afetiva, à negatividade planetária e aos papéis errados que imputamos aos animais, eles estão perdendo sua liberdade e sua identidade. E sua ascensão está sendo atrasada justamente por aqueles que os amam tanto. Cada vez que um cão morre e colocamos neles essa expectativa de que eles em algum momento voltarão ou ficarão presos à nossa energia por alguns anos, estamos criando uma programação. Essa programação só atrapalha a evolução deles.

Os gatos têm uma característica diferente, pois não se submetem tanto à vontade humana, mas mesmo assim também estão sendo prejudicados, especialmente pela manipulação genética, pela negatividade e pela falta de contato com a natureza. Os cães, por serem extremamente amorosos e dependentes dessa relação com os humanos, criaram um laço energético emocional muito difícil de ser quebrado.

Quando um ser humano parte, muitos de nós continuam prendendo a energia deste ente querido equivocadamente, guardando seus pertences, mantendo suas rotinas e até pedindo que o falecido faça milagres e ajude os que ficaram. Isso só atrasa a evolução dessa alma. No caso dos animais, como o animal não é uma alma individualizada, com esse comportamento acabamos atrasando a evolução de toda a espécie.

Primeiro, para que possamos ajudá-los efetivamente em seu processo de evolução ascensional, precisamos entender que eles não nos pertencem. E não estão neste planeta para nos servir e amenizar nossa solidão e carência emocional. São seres de uma magnitude e harmonia que ultrapassa a nossa compreensão. E por atribuirmos a eles qualidades, defeitos e responsabilidade humanas, só os prejudicamos.

Depois, quando for o momento de dizer adeus, que seja adeus. Tenha o amor verdadeiro de libertar esse ser de qualquer responsabilidade ou obrigação. Eles são livres e assim devem continuar. Entregue o seu querido amigo às hierarquias de Luz, para que ele siga seu caminho, sua evolução, da maneira que sua alma/Mônada desejou. Neste planeta ou em planos superiores.

Se queremos evoluir como seres humanos, temos que permitir que todos à nossa volta também evoluam e sejam livres. Sejam humanos ou não.

Não façamos o que os deuses do passado fizeram conosco. Vamos libertar essas energias, essas almas para que possam se desenvolver além de nossas expectativas limitadas. Isso sim é amar de verdade.

 

jamboEsse é o meu agradecimento ao Jambo, que me ensinou de maneira amorosa e nobre o que só um ser elevado como ele poderia. Hoje ele tem asas e vive bem longe deste planeta. Mas toda vez que ele dá uma passadinha por aqui, sou eu que me sinto como um chihuahua perdido na sua presença.

(nota dia 19/01 – quando escrevi este post não tinha visto ainda as cenas de gravação deste filme. Confesso que foram bem perturbadoras. Caso você não tenha visto, achando que o filme é “fofo”, veja o que os cães tiveram que passar para criar esse “lindo” filme: http://www.tmz.com/2017/01/18/a-dogs-purpose-video-suspension/)

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4 comentários em “Porque eu não vou assistir “Quatro Vidas de um Cachorro””

  1. Concordo c seu pensamento, mas “não assistir o filme, nem amarrada”, isso pra mim já é um exagero. Lembrando que é um filme, arte…..

    1. Marta, sim, certamente. Por isso o título é porque EU não vou assistir. Porque eu me conheço e choro em todo filme com animais. O objetivo do artigo não é convencer ninguém a deixar de ver o filme, mas questionar sua relação com os animais. Somos livres prá fazer o que quisermos. E o filme deve ser lindo mesmo… Boa diversão!

  2. Olá Eliana!
    Belo texto e oportuna reflexão que você nos apresenta!
    Interessante que em nenhum momento eu senti vontade de assistir a esse filme e olha que amo animais.
    Foi um prazer conhecer o Jambo, mesmo que apenas por foto!
    Gratidão
    Bebell

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