Despertar, Espiritualidade

30 ANOS DE LIBERDADE

Já se vão uns 30 anos longe de qualquer estrutura religiosa. Decidi lá atrás me desvencilhar de qualquer conceito baseado no medo e na culpa e não ser mais manipulada por convenções ou “verdades” absolutas. Isso não significa que eu não seja grata pelos 20 anos de aprendizado dentro da religião, afinal foi ali que meus questionamentos começaram. Honestamente, sou imensamente grata.

Parti do pressuposto que não existe tal coisa como “A VERDADE” e criei o meu próprio sistema baseado na DÚVIDA. Se existe algo certo neste planeta, é a incerteza e me vali dela prá quebrar contratos com o sistema religioso e com qualquer conceito ligado à religião. Decidi ser livre, custasse o que custasse. E, de verdade, não me arrependo nem por um microsegundo.

Iniciando meu questionamento pela própria existência de um deus único, onipotente e onisciente, deus de amor, etc, etc. Resolvi duvidar e buscar as minhas respostas (sem medo, claro!). Se existisse um deus assim, obviamente não existiriam as religiões. Pois não haveria necessidade da humanidade criar tantas divisões, guerras, disputas por poder, por terras, dinheiro. E por fiéis. Cada um em nome de “seu deus”. Basta ouvir as pessoas se referirem ao “meu deus isso…”, “meu deus aquilo…”, batendo no peito como que defendendo seu time de futebol. E o mais curioso é que os fatos estão cada vez mais acessíveis. Basta uma busca simples pelos textos originais da Bíblia para entender que ela em lugar nenhum do Velho Testamento se refere a esse deus único. São vários Elohins, cada um com sua proposta de conquista, exploração, desenvolvimento. Os romanos decidiram criar a ideia de um deus único apenas para controlar a humanidade através justamente do medo ao deus-todo-poderoso-criador-de-tudo-o-que-há.

Você pode estar se perguntando: o que há de errado em acreditar em um deus único? Tudo. Porque à partir deste conceito, todos os outros foram criados, como se existisse um legislador olhando e julgando tudo o que acontece no universo. Para que você se sentisse controlado e fizesse o que a igreja ou os sacerdotes mandassem. Como se o mundo fosse um grande big brother com câmeras até no seu cérebro, para controlar seus pensamentos. E se seguiu o conceito do pecado original. Outra grande mentira para que você nascesse se sentindo a “mosca do cocô do cavalo do bandido” desde pequenininho. Sendo que no judaísmo não existe tal conceito, porque no Velho Testamento não existe o conceito do pecado. O pecado original foi criado por São Agostinho pelo menos 400 anos depois da morte de Jesus. E veja que curioso, foi o mesmo Agostinho que criou a “doutrina da guerra justa”. Agora pare prá pensar… teria sido Agostinho um homem santo, ou um instrumento do “outro lado” prá criar inimizade e separação entre os povos?

Bom, se não existe um deus único e não existe pecado, como ficam todos os outros conceitos, que são perpetuados por todas as religiões que hoje se dizem cristãs? Onde fica Jesus Cristo nesta estória? Justamente hoje, onde a maioria está compartilhando nas suas redes sociais imagens e filminhos sobre a morte e ressurreição de Jesus para que você se sinta, mais uma vez, culpado pela morte do salvador?

Pois bem, se não existe pecado, não existe nem nunca existiu a necessidade de um salvador. A vida e morte de Jesus até hoje é coberta de situações inexplicadas, com versões controversas. Mas não tenho a pretensão nem a disposição para criar polêmica. Sem dúvida, o propósito em torno de Jesus Cristo também foi manipulado pela igreja, sendo que os evangelhos foram “encomendados” cerca de 50 anos após a morte e ressurreição de Jesus, por escritores contratados com o objetivo de estruturar a doutrina da igreja primitiva.

Dito isso, voltamos ao medo e à culpa como instrumentos de controle e como eles até hoje mantêm a humanidade presa à religião.

Se existe algo que te faça se sentir mal ou culpado por algo que você não fez, aí está a manipulação. Se Jesus morreu na cruz e ressuscitou no terceiro dia, ele fez isso não para salvar a humanidade. Na verdade, ele provavelmente nem morreu em cruz alguma. Mas digamos que ele tenha morrido. Se não existe pecado e na época em que Jesus viveu esse conceito nem existia, por que ele teria feito o que fez?

Primeiro, porque provavelmente a humanidade continua a mesma desde então. Não foram capazes de aceitar o diferente, não foram capazes de compreender alguém que tinha um discurso diferente da maioria. Ele deve ter sido morto porque tinha uma visão muito além do que a humanidade podia compreender. E até hoje não compreende.

Porque em nome dele as pessoas se dividem em cultos, em guerras, em discussões estúpidas, em facções religiosas. Verdadeiros criminosos enriquecem em nome deste Jesus inventado e dão as costas para a lição que ele tentou deixar.

De que somos seres livres. Não dependemos de estruturas, de igrejas, de sacerdotes, pastores, ou quem quer que seja. Porque “Eu Sou” a luz do mundo. Você é a luz do mundo. Ele é a luz do mundo. Cada um de nós deveria agir de acordo com sua natureza crística que automaticamente nos liga à nossa própria Fonte, e não idolatrar imagens fantasiosas de personagens inventados. E respeitar antes de mais nada a vida e a liberdade.

A ressurreição está na libertação de dogmas, contratos religiosos, dependência da aceitação do outro, na igualdade e no amor sem condições. Será que é tão difícil entender isso?

 

 

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